COUTO Edvaldo Souza (Org.); GOELLNER, Silvana Vilodre (Org.). Corpos Mutantes: ensaios sobre novas (d)eficiências corporais. 2. ed. Porto Alegre: Editora da UFRGS,2009.
O livro é composto de dez ensaios dedicados ao corpo, modificado, potencializado, aperfeiçoado, desejado e glamourizado. O livro Corpos Mutantes traz várias reflexões sobre a valorização do corpo humano na atualidade. Os autores falam das aventuras desses corpos mutantes como construção cultural de acordo com as tecnologias do momento.
O livro é composto de dez ensaios dedicados ao corpo, modificado, potencializado, aperfeiçoado, desejado e glamourizado. O livro Corpos Mutantes traz várias reflexões sobre a valorização do corpo humano na atualidade. Os autores falam das aventuras desses corpos mutantes como construção cultural de acordo com as tecnologias do momento.
Os Percursos do Corpo na Cultura Contemporânea
Malu Fontes
Em séculos passados o corpo era algo de vergonha, reprimido, o qual precisava ser coberto e escondido, apenas definido pelo outro, passivo, pecador, etc. Ao decorrer das décadas percebemos que este fenômeno do culto ao corpo pecador, escondido e sujo atinge o ápice do desejo, do belo, do perfeito e escultural, culminando na “moda” das academias, remédios, cirurgias plásticas, lipoaspiração, corpos siliconizados, indústrias milionárias de cosméticos, etc. Por outro lado, observamos com a evolução do corpo representado, representante e representador a também indiscutível evolução tecnológica.
A mídia é a maior aliada da propagação do corpo perfeito, pois é um poderoso instrumentos de divulgação e disseminação do corpo canônico, seduzindo e conquistando seguidores conforme a condição socioeconomica de cada um. Nos tempos modernos, ter um corpo escultural, perfeitamente delineado é passaporte para o mundo artístico e para o mundo do poder econômico. Ou seja, hoje, esse corpo escultura e desejado por homens e mulheres também pode ser o seu instrumento de trabalho. As mulheres são os maiores alvos deste corpo canônico, isto é, o corpo padrão/idealizado por uma sociedade e ovacionado pela publicidade.
É interessante observarmos o poder da mídia quando publica e edita nos meio de comunicação de massa, este corpo canônico como o ideal e como aquele que “representa” a saúde e bem estar. Entretanto, deixa de publicar o que foi necessário realizar para alcançar este corpo: práticas abusivas que alteram sua verdadeira forma anatômica e estética. Excluindo, assim, aqueles que não podem apresentar este corpo canônico a sociedade.
É espetacular observar por meio do texto a evolução do papel do corpo humano durante o século XX, seu estatuto no espaço político, privado, público e social. Todavia, urge salientarmos, mais uma vez, o poder midiático sob um cidadão, as conseqüências dos meios de comunicação sob uma sociedade. Afinal por que será que foi usado este adjetivo “canônico” ?!
O corpo ideal da mulher brasileira era quadril largo, cintura fina e seios pequenos. Com o poder americano e seu capitalismo, inseriu-se um dos itens do “corpo feminino americano” seis vantajosos e enormes. Criando-se, assim, uma endemia de cirurgia plástica para implante de silicones nos seios femininos e tantas outras surgiram. Somos o país que mais realiza cirurgia plástica no mundo.
Enfim, o que será mesmo um corpo perfeitos para cada um de nós?! Somos apenas um corpo?! Nossa representação diante de uma sociedade é apenas corporal?! Até quando permitiremos que nossas “escolhas” sejam feitas e “seguidas” de forma midiática?!?
Artigo contido no livro Corpos mutantes: ensaios sobre novas (d) eficiências corporais / organizado por Edvaldo souza Couto e silvana Vilodre Goellner-2.ed.- Porto Alegre:Editora da UFRGS,2009.
Uma estética para corpos mutantes
Edvaldo Souza Couto
Nos tempos modernos tudo parece muito imediato, o aqui e agora. Parece não haver futuro ou talvez a incerteza sobre ele prevaleça. A vida circula sob uma incerteza profunda e por isto tudo gira em torno do prazer instantâneo, numa velocidade quase incontrolável. Assim parece acontecer o mesmo com o processo de mutação do corpo humano. Com o avanço tecnológico, essa transformação do corpo humano acelerou, sendo “quase” tudo possível para o alcance do corpo perfeito imposto pela sociedade contemporânea em todo o seu sentido, mesmo aquelas mudanças mais transitórias ou quase fugazes. As novas tecnologias parecem ser o maior aliado do homem e da sociedade neste processo mutante do corpo.
O culto ao corpo esplêndido tornou-se algo “quase” obsessivo, tudo aquilo que seja “considerado” feio, flácido, desagradável aos olhos do outro ou da sociedade, fora de “padrão”, pode e dever ser exterminado, mudado, transformado ou reconstruído. E parece que, hoje, a tecnociência pode nos oferecer muito para o alcance do tão sonhado corpo escultural como também para manipulação genética, cosméticos, o uso de próteses, rejuvenescimento, recolhimento de sangue do cordão umbilical ao nascer, etc. Este homem e sociedade simultaneamente mutantes buscam na ciência urgente meios para “curar-se” do envelhecimento. Todos parecem, desesperadamente, sonhar e aguardar enfim o estagnar da vida corporal, a jovialidade eterna, a imortalidade.
Sobretudo o capitalismo entra de forma marcante na cooperação da reconstrução deste corpo com a comercialização de peças repositoras diversas como: mãos, braços, pés, pernas, ouvidos eletrônicos e olhos, devolvendo suas partes corporais a acidentados e deficientes físicos. Enfim, é o modelo ciborgue, uma mistura de organismo e cibernética, fazendo do corpo o maior destino das tecnologias de ponta.
Todavia, é interessante lembrar que esta política exacerbada de glamourização corporal é dolorosamente excludente. E aquelas pessoas que não podem reverter, corrigir, retransformar o ultrapassado, “transmutar” seu corpo ou, até mesmo, recolher na maternidade o sangue do cordão umbilical do seu filho para que, futuramente, seja salvo de tantas doenças que assustam a todos, como ficam ou como são inseridas nesta sociedade capitalista e neste processo de metamorfose corporal?!
Como o autor afirma, “ a robótica e a engenharia genética não trabalham separadas, seus produtos e técnicas são complementares. Com elas, a verdadeira questão não é mais a produção do homem artificial, mas a produção artificial do homem”. Afinal o que somos hoje?!
Artigo contido no livro Corpos mutantes: ensaios sobre novas (d) eficiências corporais / organizado por Edvaldo souza Couto e silvana Vilodre Goellner-2.ed.- Porto Alegre:Editora da UFRGS,2009.
Velhice, palavra quase proibida; terceira idade, expressão quase hegemônica: apontamentos sobre o conceito de mudança discursiva na publicidade contemporânea.
Annamaria da Rocha Jatobá Palacios
A autora expõe a simetria de sentidos entre a palavra “velhice” e a expressão “terceira idade”, discutindo a substituição da primeira pela segunda por parte das campanhas publicitárias, principalmente àquelas das indústrias de cosméticos. Como o potencial de consumo deste público tem se afirmado nos últimos anos, principalmente da ala feminina, são alvos de enormes investimentos em vários setores econômicos como turismo, entretenimento, cosméticos, etc. Porém, o mercado publicitário acompanha tanto as mudanças culturais como sociais, evidenciando o que está em alta e contribuindo exacerbadamente para a disseminação dessas idéias e, muitas vezes, conseguindo dominar um público grande. Por isto, é essencial um olhar cuidadoso, investigativo e ponderado sob a sua idéia.
Diante de uma sociedade que idolatra o corpo, a palavra velhice durante décadas, foi associada a degradação física, isolamento, doenças, inutilidade e por fim, fase que o aproxima assustadoramente da morte. Todavia, no mundo inteiro, o número de pessoas na terceira idade tem crescido devido à nova realidade demográfica, o crescimento populacional é bem menor em consequência da diminuição do número de filhos na família. Assim, a tecnologia entra para oferecer uma vida mais ativa, saudável e rica para esse grupo, aumentando sua expectativa de vida, criando novas medicações, vacinas, melhor saneamento básico, e também a criação de melhores políticas públicas por parte dos governantes.
A beleza da vida, a alegria, felicidade e prazer de sermos o que somos e de estarmos aqui, podem está presentes em toda fase da vida, não é um privilégio apenas da “juventude”. Talvez, também, por tal necessidade o uso da expressão “terceira idade” tem crescido de forma considerável, pois, segundo o texto, nos remete a algo que existiu antes desta fase, existindo coisas boas, ou seja, sucesso e glórias foram vividos e, ainda, podem permanecer acontecendo. Desta forma, na contemporaneidade, a velhice passa a ser heterogênea tanto na constituição grupal como em suas novas visões de vida, “velhos” costumes e preconceitos sobre essa fase ficaram para trás. Afinal só há terceira idade porque houve infância e fase adulta, porque houve uma história na qual nenhuma fase pode desprender-se aleatoriamente e ser desvalorizada.
Artigo contido no livro Corpos mutantes: ensaios sobre novas (d) eficiências corporais / organizado por Edvaldo Souza couto e Silvana Vilodre Goellner-2.ed.-Porto Alegre: Editora da UFRGS,2009.
Corpo, fragmentos e ligações: a micro história de alguns órgãos e de certas promessas
Ieda Tucherman
“O coração é uma bomba muscular e não a sede da alma”.
(Vaysse, 1995: 40)
A autora faz um paralelo entre o corpo humano artificial e o real. Até onde o cinema influencia em toda esta mudança, na busca do corpo tecnocientífico?! Até onde o cinema influencia na construção da máquina real e virtual/tecnológica?! O que era ficção no cinema décadas atrás, hoje chega como real, possível e alcançável, como os telefones celulares e a internet, por exemplo. A tecnologia de ponta parece influenciar completamente na construção deste corpo idealizado e incentivado pela mídia como o corpo perfeito. Nessa discussão, ela cita a aceleração tecnológica em campos científicos mais recentes e tão diversos como a robótica, a biônica, a nanoteclogia, a biologia molecular, a genômica, a inteligência artificial e a bioengenharia. Parece que máquinas e corpos humanos misturam-se, transformando em um só, ou seja, a criação do corpo artificial.
O corpo moderno sofre interferência cada vez mais forte da tecnologia, a autora para falar sobre transplantes, cita o filme 21 gramas, de Alejandro GonzálezIñarritu,de 2003, abordando o resultado das interferências ao ser humano contemporâneo. E nos leva a uma reflexão forte sobre a possível influência de sentimentos no transplantes do coração e o paradoxo de que alguém tenha uma morte súbita, seja assassinado ou sofra um acidente, já que qualquer doença tornaria suspeita a saúde deste músculo. Então, a morte de alguém torna a vida possível e, muitas vezes de forma injusta e violenta, como acontece no filme citado posteriormente.
Há uma sensação de que o corpo tornou-se uma mercadoria tecnológica, a qual pode ser “melhorado” a cada descoberta e aplicação de uma nova técnica. Parece que a ficção invade a vida real e essa invasão pode nos levar a perda do eu, da nossa própria identidade física e psíquica. As evoluções científicas são uma grande esperança humana, porém, urge cuidados para que não percamos nossa identidade humana ou nosso diferencial. É possível?!
Artigo contido no livro Corpos mutantes: ensaios sobre novas (d) eficiências corporais / organizado por Edvaldo Souza couto e Silvana Vilodre Goellner-2.ed.-Porto Alegre: Editora da UFRGS,2009.
Olá Irabel!
ResponderExcluirBem vinda a mais um módulo da especialização!
Agora você pode aproveitar que seus colegas estão disponibilizando seus endereços, você pode fazer uma lista de blogs e ir acompanhando um a um! Ah, não esqueça de deixar um comentariozinho por onde passa, ok?
Que tal começar falando um pouquinho sobre suas expectativas para este módulo?
Abs
Obrigada Adriane!
ResponderExcluirGosto muito do programa deste módulo 1. O conteúdo do módulo nos traz discussões bem contemporâneas sobre as dimensões tecnológicas na educação e em nossas vidas sempre assoacinado-a à nossa prática pedagógica. Acredito que finalizarei o módulo compreendendo melhor a inserção das TICs na educação e, principlamente, como usá-las de forma coerente em benefício de todos.